quarta-feira, 12 de maio de 2010

Disfunção da Proteína CFTR em Bronquiectasias não Fibrose Cística

A presença de uma mutação no gene da fibrose cística, chamado pelos pesquisadores de CFTR (CFTR é sigla de cystic fibrosis transmembrane conductance regulator) foi previamente vista como mais frequente em pacientes com bronquiectasia difusa com um teste do suor normal quando comparados com a população em geral. No entanto, o papel patogênico desta mutação  única do gene CFTR no desenvolvimento de bronquiectasia difusa permanece obscura.

Foi publicado um estudo na última edição do AMERICAN JOURNAL OF RESPIRATORY AND CRITICAL CARE MEDICINE discutindo a importância da mutação do CFTR no desenvolvimento da bronquiectasia difusa.

RESUMO DO ESTUDO


Introdução: Embora em pacientes com bronquiectasia difusa (DB) e teste do suor normal,  a presença de uma mutação no gene CFTR seja freqüentemente observado, o seu papel patogênico no desenvolvimento da DB permanece obscura.

Objetivos: avaliar a associação entre heterozigosidade do gene CFTR e disfunção da proteína CFTR nas vias aéreas de pacientes com DB.

Métodos: diferença de potencial nasal foi medido em 122 pacientes com DB de origem desconhecida e com um teste do suor normal (Cl2, 60 mmol / L). Eles foram classificados quanto à presença de mutações no CFTR: zero (85 pacientes), um (22 pacientes), ou duas mutações (15 pacientes). O grupo controle foi composto por 26 indivíduos saudáveis, 38 heterozigotos obrigatórios para a CFTR, e 92 pacientes com o fibrose cística clássica (FC) com um teste do suor anormal (Cl2> 60 mmol / L). Os pacientes classificados como FC leve tinham pelo menos uma mutação e os pacientes classificados como graves eram homozigotos para a mutação delta F508.

Principais Resultados: Houve uma continuidade da disfunção da CFTR  das vias aéreas na população do estudo, conforme mostrado por medições da diferença de potencial nasal, variando de valores normais em indivíduos saudáveis, com valores intermediários em indivíduos com a DB, a valores altamente anormais em indivíduos classificados como FC grave. Este continuum da  disfunção da CFTR das vias aéreas foi, portanto, fortemente associada com defeitos no gene CFTR. Além disso, entre os pacientes com DB, um continuum semelhante na diferença do potencial nasal intermediário identificado foi associado com zero, uma ou duas mutações CFTR. Estes fenótipos eletrofisiológicos e genótipos CFTR também foram associados com o fenótipo clínico,  como demonstrado pela freqüência de Staphylococcus aureus e Pseudomonas aeruginosa brônquica.

Conclusões: Nosso estudo apóia a hipótese de que uma única mutação do gene CFTR pode ter conseqüências patogênicas em pacientes com DB.

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